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A personagem: "Inspector Morse" e "Endeavour"

Domingo, 29.05.16

 

 

Já aqui falei de séries televisivas, sobretudo inglesas. Recentemente fiquei viciada no "Inspector Morse": a personagem e o seu cenário, Oxford, os edifícios e as suas cúpulas, a música clássica, os coros, os jardins de casas muito arrumadinhas. Entretanto, iniciou outra, "Endeavour", a personagem Morse enquanto jovem, nos anos 60.

A personagem Morde foge ao estereótipo do polícia e do inspector. Mais, a personagem escapa a quase todos os estereótipos sociais. Terrivelmente independente, inteligente, intuitivo, culto, um "Oxford scholar", o que lhe traz dissabores profissionais. Tem a sorte dos bravos, inicia a carreira de polícia com um inspector, Thursday, que o protege e de quem se torna grande amigo e, mais tarde, já inspector, é acompanhado pelo leal sargento Lewis. A inteligência intuitiva de Morse e a perspicácia prática de Lewis tornam esta equipa muito bem sucedida.

Morse é solteiro, o que lhe dá um certo charme misterioso. Amável com as mulheres, que respeita como um "gentleman", também nessa área vai tendo alguma sorte. As suas namoradas são suas amigas também, o que torna os seus relacionamentos harmoniosos e interessantes.

A música é a sua grande inspiração e consolo. A preencher as palavras cruzadas ou sentado no sofá de copo na mão ou de binóculos a observar os pássaros da janela, ou mesmo a conduzir, a música acompanha-o sempre. Aliás, faz parte de um coro de Oxford desde jovem.  

A sua fragilidade é a saúde e o seu gosto pela cerveja e, de vez em quando, uma bebida mais forte. Com a idade vai-se tornando desencantado, impaciente, rabugento. As suas citações de escritores e filósofos torna-se mais frequente, as frases poéticas ficam a pairar num tom nostálgico e triste. É como se a idade lhe pesasse no corpo e na alma. Irá resistir, no entanto, à ideia de se reformar. Só irá parar quando o coração lhe falha subitamente.

 

Nesta série o que me prendeu é a personagem. Mas de referir que a realização é impecável, a fotografia, a edição, o cenário, é tudo cuidado até ao pormenor.

E não há nada como um jardim inglês para nos animar os dias cheios de notícias tristes e angustiantes. É sempre nos jardins e na música que podemos ir buscar nova inspiração para lidar com o mundo.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 16:17

"Flashfoward": qual será a verdadeira "face do mal"?

Sexta-feira, 06.11.09

  

Flashfoward é uma série televisiva muito bem concebida, bem arquitectada, engenhosa, verosímil dentro do inverosímil, a possibilidade de manipulação mental à escala mundial.

As personagens aqui são densas e complexas, e à dimensão humana. E os actores, muito bem escolhidos para o seu papel.

 

Além de nos entreter, Flashfoward desafia-nos a memorizar pormenores que serão comparados e verificados, passo a passo, num sistema de busca, o "Mosaico", e a raciocinar, a deduzir, a especular o que teria provocado os desmaios silmultâneos a nível global. O quê, o como, e o porquê, por desvendar. 

 

Há uma interessante comparação, neste Flashfoward, entre as diversas dimensões do mal: os pecados terrenos e compreensíveis, próprios da natureza humana, como o alcoolismo do detective, ou as mentiras motivadas pelo medo; já a um outro nível, o da ambição pessoal e da linguagem do poder, aqui já há calculismo, na implacável senadora Clemente, por exemplo; e ainda, de uma outra dimensão da violência, da dimensão do impensável, a verdadeira "face do mal".

Nesta dimensão do mal, há uma premeditação fria e distante. Aqui a manipulação é à escala mundial e sem medir consequências.

E aqui o maior sedutor pode ser o maior assassino. Daí a questão filosófica que vi em Flashfoward: qual será a verdadeira "face do mal"?

 

Quem quiser seguir a série, ainda vai muito a tempo, pois há sempre um apanhado dos episódios anteriores. E além disso, ainda só vai no início do imbróglio, a investigação do nosso detective, o "Mosaico", acaba de conseguir o seu financiamento para prosseguir.

Flashforward passa no AXN às 4ªs feiras e aos domingos à noite (inicia invariavelmente entre as 21.30 e 22.20).

 

Sim, já só ligo a televisão para ver esta série e outra, o Boston Legal, que passa na Fox Crime. Boston Legal, pelo William Shatner e pela Candice Bergen. E pelos temas que aborda através dos clientes que a equipa defende em tribunal.

De resto, só algum filme ou documentário interessante.

 

 

Filmes relacionados: O Acontecimento (The Happening), de M. Night Shyamalan, 6ª feira, dia 20 de Novembro, às 22.00, no TVCine 3.

E ainda O Rapaz do Pijama às Riscas (The Boy in the Striped Pyjamas), de Mark Herman, domingo, dia 29 de Novembro, às 22.30, no TVC HD. 

 

Breve nota: E aqui uma ligação à Lavandaria e ao seu top five de séries televisivas a 12.11.09, que inclui o Flashfoward e o Boston Legal.

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 11:21

...

Segunda-feira, 13.10.08

 

As personagens

aparecem num palco

fazem a sua vénia

antes e depois

e trazem um papel na mão

 

O palco

os papéis

a lógica das personagens

 

No fundo a lógica das personagens

é a mesma lógica do mundo

e de toda a humanidade

e esse palco é o próprio mundo

e todos os lugares onde existam pessoas

 

Mas estas personagens são especiais para mim

não só porque representei com elas nesse palco

mas porque as suas qualidades de representação

são fora do vulgar

de tal modo que não vi o papel que representavam

fascinada com a sua coreografia

hipnotizada com a sua engenhosidade

 

A lógica do seu discurso é que me convenceu

esses papéis premeditados

essas mentiras e farsas

 

Como é que nos podemos subtrair

à influência dessa lógica

só com a nossa sensibilidade

não me parece que seja possível

parece-me mesmo altamente improvável

 

Mas alimento também eu a ilusão

de me ter libertado dessa lógica

de papéis premeditados

de malabarismos em palco

de mentiras e farsas

toda essa lógica

 

Quando desafiamos assim

a nossa capacidade de ver uma realidade escondida

de que a nossa sensibilidade sempre nos protegeu

o que poderá acontecer?





 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 15:10

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Segunda-feira, 08.09.08

 

No fundo, guardamos em nós

essa capacidade de repetição de cenas

que já representámos de uma outra forma

num outro cenário

 

Mesmo que nos dêem instruções

para alterar isto ou aquilo

acabamos sempre por cair na nossa peça inicial

 

É como se fôssemos concebidos

de uma determinada matéria

que não aceita alterações exteriores

porque tem em si um papel para representar

Acredito profundamente nisso

 

As teorias da supremacia do meio

na construção de uma pessoa

nunca me impressionaram

 

Mesmo que mudem os cenários

a criatura já sabe o seu papel

Não se pode ver livre da sua própria composição

já está tudo definido





 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 16:37

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Quinta-feira, 04.09.08

 

Que novas personagens nos surgem agora

que as não conseguimos achar fascinantes?

 

Muito vistosas e  muito ruidosas, sim

Mas que pensamentos e sentimentos próprios de uma personagem

na sua individualidade e filosofia próprias

encontramos nestas novas personagens?

 

Sacrifica-se tudo ao grupo, foi isso que aconteceu

O grupo determina ditatorialmente a nova personagem

as novas regras do jogo, as novas atitudes

os novos discursos, as novas percepções

Sacrificou-se a pessoa

 

Onde é que podem surgir personagens fascinantes

na ausência de pessoas, por assim dizer?

Autómatos e marionetas, e tudo na roda-viva

dos pensamentos e sentimentos por encomenda

 

Estou perfeitamente convencida que o Filósofo viu isso tudo muito antes

Antecipou esta época, estas novas personagens

e a ausência de pensamentos e sentimentos próprios

 

Imagino o pesadelo que o Filósofo terá tido

quando visualizou por assim dizer esse cenário

Posso até imaginar a tentativa de situar esse cenário

na lógica intrínseca da sua teoria geral

sobre a evolução da espécie humana



 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 17:37

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Quarta-feira, 13.08.08

 

Depois da minha visão da realidade nesse dia

tive pena de não me ter apercebido da minha realidade há mais tempo

Todo esse tempo perdido, pensei

 

Como é possível não ter visto tudo isso

e tudo tão lógico e evidente

Mas claro que se fosse lógico e evidente já teria dado por ela

 

Não estava preparada para essa visão da realidade

É como uma cegueira selectiva ou uma surdez selectiva do pensamento

Só vemos e ouvimos o que queremos ver e ouvir

 

Quando me apercebi da minha realidade

fiquei com a sensação inicial de estar a ver um filme com outras personagens

Nesse filme eu não representava o papel principal

e isso foi logo a primeira coisa que me preocupou

 

Uma pessoa demora uns tempos a recompor-se de uma visão destas

nunca mais é a mesma

Alguma coisa de essencial mudou

e vai ter de aprender a viver com essa visão

 

Talvez por ser tão difícil viver com essa visão

é que a maioria prefere viver com ilusões

Ou simplesmente uns têm uma protecção genética contra a visão da realidade

porque as ilusões são necessárias à vida

e outros não têm essa protecção genética

e os sintomas da visão da realidade acabam por se manifestar mais tarde



 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 17:33

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Sábado, 09.08.08

 

Vemos a nossa realidade passar nitidamente

e pela primeira vez à nossa frente

 

e nem sequer temos o papel principal nessa peça

 

Não foi só viver de ilusões

foi passar esse tempo todo a representar um papel secundário

 

e tratar-se da peça da nossa vida

 

Representámos um papel secundário

numa peça absurda

 

e nem sequer era um papel genuíno

 

So esta descoberta é suficiente

para alterar a vida de uma pessoa

 

e com consequências imprevisíveis



 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 16:08

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Sexta-feira, 25.07.08

 

Durante uns tempos parar de falar

Ouvir o silêncio

 

Ouvir outras vozes

Vozes dissonantes

 

Não sempre as mesmas repetidamente

mas vozes diferentes

 

Desmontar vozes

que sempre se ouviram com fascínio

 

Procurar por detrás

desmontar tudo

 

Ouvir de novo

desmontar outra vez





 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:14








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